[o que é] um algoritmo?

Cena clássica: você tá lá assistindo um vídeo no Youtube e a pessoa dona do canal larga aquele texto que todo mundo já sabe de cor: “dá um like aqui, se inscreve no canal, compartilha o vídeo e comenta aqui embaixo”. 

É meio pentelho né? Mas tem uma razão pras pessoas fazerem isso. 

Todas essas ações ajudam o algoritmo daquela rede social a entender que aquele conteúdo é relevante e o distribuir para uma audiência maior.

Mas vamos lá, o que é exatamente um algoritmo?

Pedimos perdão, mas não vamos fugir do exemplo clássico.

Um algoritmo é como… é como o que? O que? Mais alto! (kkkkk) Um algoritmo é como uma receita de bolo: uma série de instruções para completar uma tarefa. Neste caso, fazer um bolo. A depender da complexidade do bolo, a receita pode precisar de mais ou menos passos. Em um algoritmo é a mesma coisa: As instruções podem ser simples como ‘Desligue o computador’ ou podem conter inúmeros passos e variáveis a levar-se em conta. 

Vamos usar o caso do Youtube pra exemplificar isso tudo um pouco melhor. 

Imagine um passo-a-passo como o seguinte:

1- pegue todas as postagens que ocorreram na última hora
2- Dê uma nota de 0 a 10 para as postagens.
Para isso, considere:
Número de likes
Número de comentários
Quantas vezes a postagem foi compartilhada 
Número de seguidores que o autor da postagem tem
3- Recomende as postagens que tem maior nota para pessoas que ainda não as visualizaram

Voilá: Isso é um algoritmo.

Toda vez que alguém diz que o “algoritmo tomou uma decisão”, isso significa que algum ser humano criou parâmetros e ordens, que foram traduzidos usando uma linguagem de programação para que um computador pudesse executar essas ordens. 

O que isso quer dizer, então? Não existe neutralidade em uma tomada de decisão por ela ter sido executada através de um algoritmo. E esse é um argumento muito utilizado atualmente. “Ah, mas a decisão foi tomada pelo computador”. Foi tomada pelo computador, que seguiu as ordens dadas por um ser humano.

Vamos usar um pequeno exemplo? É o último, prometemos.

Alguns bancos decidiram usar algoritmos para facilitar a análise de crédito dos seus clientes ou clientes em potencial. A justificativa é de que isso possibilitaria uma análise e decisão neutra sobre quem poderia receber crédito e a que taxa de juros.

Sabem o que se descobriu? Que o seu CEP é um dos critérios que o algoritmo leva em conta para te conceder crédito. E que os CEPs correspondentes a bairros mais pobres, onde pessoas negras e latinas moram, levavam a nota da pessoa para baixo. 
(fonte: The Guardian)

E aí? Se a decisão é tomada por um algoritmo quer dizer que ela é imparcial?

A gente acredita que não. Por que todo algoritmo é criado por um ser humano e carrega consigo os parâmetros que essa pessoa (ou instituição) decidiu que deveria carregar.

De acordo com Virginia Eubanks “Quando as ferramentas automatizadas de tomada de decisão não são construídas para desmantelar as desigualdades estruturais. sua velocidade e escala as intensificam”.

Essa preocupação levou um grupo de pessoas programadoras a criar a ferramenta EthicalOS que ajuda a prever e mitigar consequências não intencionais de tomadas de decisão automatizadas.

Algoritmos impactam direta ou indiretamente nossas vidas e, na nossa visão, nos apropriar desse conhecimento e de como funcionam essas ferramentas, é um meio para construir um futuro em que a tecnologia melhore a vida das pessoas ao invés de reforçar e intensificar as desigualdades já existentes.

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